Um Blog de histórias, desabafos e tudo o que nos der na real gana sobre uma das muitas Vilas Formosas deste país...
Segunda-feira, 18 de Setembro de 2006
... e no caos continuamos..

Gente que Escapou às Formigas

Capítulo Menos Dois

Ou

Fuga às Formigas – Parte 2

Capítulo II

“Longistão, Setembro de 2006.

 

Querido pai,

Desculpa só agora responder à tua carta datada do mês passado e enviada por Correio Azul, mas como sabes o “Azul” não é para todos… muito menos para as terras como a nossa, que apesar de perto, ficam cada vez mais longe…

Mas, adiante…

Dizia eu: Querido Pai, espero que esta te encontre melhor do que quando escreveste a tua carta, onde denotavas sinais evidentes do teu adiantado estado de debilidade mental!...

Passo a esclarecer, e peço-te que não me leves a mal, pois sabes que só quero o teu bem:

 

Ponto 1 – Eu NÃO sou a tua filha!: sou o teu filho! – A morada da minha irmã, ninguém a sabe, principalmente depois de teres recebido o subsídio dos borregos e a indemnização da CP e a teres repartido “irmãmente”… pela TUA FILHA!

Ponto 2 – Essa que te acompanha NÃO é a minha mãe, pois como te deverás recordar, ela faleceu há uns bons anos… e, quando me via não dizia “Oi!, tudo legal???”! , para além de não ser da minha idade…

Ponto 3 – Já te disse várias vezes que esses comprimidos azuis que teimas em tomar, NÃO são para a TENSÃO, mas para outra coisa … com a mesma entoação…

Ponto 4 – Vê se esse mal-estar do estômago de que a Dulcineide Aparecida se queixa … não será devido a … gazes…

Ponto 5 – Tu próprio sempre me disseste que “Eras ateu, graças a Deus!”, então porquê essa tua súbita e inesperada “conversão” ???

 

Meu Pai, eu sei que a nossa terra fica longe de tudo e de todos… e que, quando se quer,  podemos sempre dar a desculpa de que “É longe … e com chuva ainda pior…nestas estradas…” ou “São muitos quilómetros para fazer com este calor…” (ainda que tenhamos um carro da última geração com ABS e Ar Condicionado de origem, e GPS – opcional por mais 1000 euros)…

Sei que, quando matas um porco – que culpa terá o bicho??? – as distâncias se reduzem; sei que quando é Natal ou outro dia festivo, a meteorologia não interessa… Sei, querido Pai, que estás “à guarda” do Centro de Dia – ou Lar dos Velhos, como lhe chamas – não por opção tua mas por necessidade minha

Todas as tuas queixas, meu pai, têm, pelo menos, uma razão de ser: Interferires o menos possível com a vida daqueles a quem a deste.

 

No entanto fico preocupado quando dizes que vives no “Galapitoquistão”… mas, pai, não foste tu quem votou nele para gerir a nossa Vila Formosa? Não foste tu quem bateu palmas quando ele disse que “Ia tomar conta do Lar”? Não foram todos os que vegetam à sua volta, que permitiram a quase Galapitocracia em que vivem???

 

É que, pai, repara bem: eu vou aí muito poucas vezes; gosto de ver a minha terra bonita, com fontes iluminadas e jardins arranjados mas… És TU quem aí passa os dias e só TU poderás tomar atitudes com conhecimento de causa!!!

Sabes que essa de “emprenhar pelos ouvidos” normalmente dá mau resultado, pois quem nos “emprenha” normalmente só “passa os seus genes” e, num caso destes, talvez fosse bom um pouco de “promiscuidade”…

E não é com atitudes obscuras que se consegue algo (já lá vai o tempo – felizmente o tempo das clandestinidades e das pinturas murais já passou!!!)

Não há ninguém “intocável” – e esse Deus de que te queixas deveria saber disso, tendo em conta o seu passado…

Por isso te digo, querido pai: Estás velho, mas não estás morto! Mexe-te, como me mandaste mexer a mim quando me viste a ir abaixo! Faz ouvir a tua voz e … se precisares… LIGA À TUA FILHA! Que eu tenho mais que fazer …

 

Um beijo do

 

Teu Filho “

 



publicado por extramodum às 14:53
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45 comentários:
De Anónimo a 28 de Setembro de 2006 às 14:06
Caras e caros chancenses , vamos a isto, para ver se conseguimos propor ideias que melhorem o funcionamento de algo tão fulcral nas aldeias de Portugal. Já pensaram que a maioria dos nossos pais irá mais cedo ou mais tarde precisar de uma infra-estrutura como esta. Discutirei apenas ideias, até porque as instituições são muito mais que as pessoas e, estas, passam, existindo os mecanismos nos estatutos que permitem solucionar quaisquer abusos.
A primeira questão relaciona-se com a profissionalização da gestão deste tipo de instituições, que não é diferente, na maioria dos casos das empresas. Por ser uma IPSS não significa que os instrumentos de gestão não sejam aplicados. E aí, há um longo caminho a percorrer. Mecanismos de gestão de recursos humanos precisam-se e com urgência. Cerca de 20 empregadas exigem muito mais que fazer horários e folhas de vencimento. Quantas horas deformação foram disponibilizadas desde que o Centro iniciou a sua actividade? Que mecanismos de motivação e gestão de conflitos existem? São apenas exemplos que nos devem fazer reflectir e, enquanto sócios (quantos dos que aqui escrevem pagam quotas?) exigir que os responsáveis tenham as competências necessárias para estes cargos (já agora, que todos saibam o que se decide nas reuniões, porque muitos não estão presentes), mas a responsabilidade continua. Vejamos uma outra área onde é possível incrementar a eficiência sem grandes custos. No Concelho existe uma rede social, no âmbito do Município , que servirá cerca de trezentas pessoas diariamente. Pensemos que todas necessitam de comprar carne, peixe, pão, leite, detergentes, fruta, legumes,etc , etc. Não seria mais fácil a conjugação de todas estas necessidades e a negociação directa com os fornecedores? Garanto que as poupanças atingem facilmente 15 a 20%. Mas esta cooperação pode estender-se ainda no campo da animação social, campo totalmente negligenciado pela maioria das IPSS por esse país fora. Contratar dois técnicos que possam prestar serviços nas freguesias e em Alter fica muito mais barato e ajuda decisivamente em algo crucial para o bem estar dos idosos. O Centro de Dia é apenas um depositário, sem quaisquer actividades de dinamização cultural que não apela às memórias e aos saberes adquiridos ? Mas a Câmara e a Junta também possuem obrigações. Existe hoje uma biblioteca Municipal, com 4 técnicas. Quantas actividades foram desenvolvidas junto destas instituições? Que se saiba, nenhuma. É tempo de exigir uma plano permanente junto das escolas e das IPSS, inclusivamente de alfabetização. E a literacia tecnológica? Vários exemplos existem de como os idosos podem aprender a manusear um computador e navegar na Internet. No campo da prestação de serviços, lavagem de roupa, fornecimento de refeições, serviços de engomadoria , são apenas pequenos exemplos que permitem um aumento das receitas. Espero que possamos discutir ideias e que promovamos o desenvolvimento do Centro de Dia, com esta ou outra qualquer Direcção.


De chanca_2 a 28 de Setembro de 2006 às 17:31
Muito bem,

Parece indiscutivel a profissionalização da gestão.
Parece indiscutivel a criação de redes de cooperação

parece indiscutivel a continuação deste debate publico

que relembro "modelo do centro de dia"


De extramodum a 29 de Setembro de 2006 às 13:38
Meu caro Chanca_2 ,
Já reparei que tem algo de válido a dizer sobre o assunto em debate.
Também notei que tem capacidade de síntese.

Então, peço-te (permita-me que o trate por tu...) que recolhas desta "máquina de lavar roupa suja" aquilo que achares de válido e útil para ajudar na solução do problema.
Depois, e se concordares, envia essa... que poderemos chamar de "Acta nº 1, dos que Escaparam às Formigas" para o meu mail , para depois eu publicar como Topico " e permitir, assim, comentários ou correcções à mesma.

Este pedido poderá servir para todos os participantes neste debate, desde que colaborem positivamente; de contrário, ... serão enviados para ... "Reciclagem".

um abraço,
extramodum

extramodum@hotmail.com


De chanca_2 a 28 de Setembro de 2006 às 17:43
em futuras intervenções poderias usar um nickname ?


De PM a 28 de Setembro de 2006 às 15:32
Depois de ler esta vossa novela alentejana com muita atenção, reparo que os que aqui falam, alguns com razão outro sem são aqueles que antes do galapitoquistão que chuparam a Chança até ao tutano, foram os que os pais so fizeram mal equanto puderam mandar, acabaram com tudo na chança, para que apontar o dedo so ao Galapito? Quem começou com o Centro de Dia e ao fim duns anos já eram mais a empregadas que os idosos(o que infelizmente continua), quem são as "mandantas" do Lar? Não é so o Galapito o culpado, entao esquecem a menina Pimenta, o menino Joãozinho, Costa, Dominguinhos, Sr Professor, Sopinhas, Bernardo, Candido, Chico Faria, Joaquim Esperança, Botas o Edmundo e tantos outros que em cada lugar que se metiam era so para destruir e tentar encher os bolsos. Agora para terminar a calamidade vem o Galapito que começou bem na Junta de Freguesia, mas acaba muito mal quer na Junta quer No Centro de Dia. Até esse Julio César agora fala mal, porque deixou de ser "dono" e "senhor" da Chança, qualquer um que vá morar para a nossa linda terra passados dias já é mais bem visto e manda mais do os que lá vivem a anos...... So para terminar quem faz todas esas coisas desde a 1ª Carta do Arauto, as pinturas nas paredes, o blog não dá a cara e diz o nome? Como dizem os espanhois "No tienes cojones"


De Delfos a 29 de Setembro de 2006 às 11:04
Não posso de maneira nenhuma deixar de responder a este comentário atroz!!

Gostaria de "relembrar" aqui que se não fossem alguns dos nomes que referiu no seu comentário, pura e simplesmente não existia Centro de Dia!! Mais simples do que isto é impossível.

Caro amigo...pelos visto não conhece a realidade do centro de dia...quer um conselho?? vá passar um dia no centro e veja com os seus próprios olhos como existe trabalho até de sobra...e não se esqueça que algumas das senhoras e mesmo um senhor que lá trabalham estão pelo desemprego, logo com muito menos custos para o centro! Provavelmente nunca fez higiene a um idoso ou lhe limpou a casa e lhe fez a comida...

Talvez até nem é sócio...mas digo-lhe mais EU SOU e com muito orgulho!

Gostaria que na próxima Assembleia que se realizar (não faço ideia quando) estivessem todos os blogistas presentes para manifestar as suas opiniões...se quiserem manter-se anónimos não tem problema. Ninguém precisa de saber quem é quem! Mas apareçam!!



De Anónimo a 28 de Setembro de 2006 às 18:07
Será que conseguimos ultrapassar as questões pessoais e discutir apenas ideias, é que é a única forma de conseguir desenvolver a nossa terra.
4VF
P.S. O último anónimo


De PM a 29 de Setembro de 2006 às 00:20
Tambem acho, entao comecem a falar no concreto identificar-se... O problemas das pessoas da chança é esse falam mas é por trás, escondidos porque alguns pertecem e pertenceram a assembleia so pra ganhar o guito ideias nepias, vao para la contar moscas. Vamos fazer uma associação "Pro Chança" debater todos estes assuntos e chamar a pedra os responsaveis.


De Cravadinho a 29 de Setembro de 2006 às 01:19
Muito (bem) impressionado eu estou!
Satisfeito por verificar que a minha terra ainda tem pessoas dispostas à crítica (a criticar e serem criticados. É bom, a crítica é importante, diria mesmo que a crítica é vital, portanto só posso estar satisfeito.
Ao ler os diferentes comentários que foram chegando a este post , fui tentando descobrir as pessoas que os escreveram, mas como isso tb não é importante, guardei apenas a imagem de pessoas que representam parte da massa crítica da Chança .
A todos os que já deixaram comentários gostava de dizer o seguinte:
Apreciava bastante que de alguma forma, chegasse aos ouvidos do Executivo da Junta e Direcção do Centro de Dia, a existencia deste blog e que os mesmos extraíssem destes comentários, críticas que seguramente os enriqueceriam .
Gostava que um dia destes o tema central da nossa discussão fosse o jardim de infância ou a escola, por estarem sobrelotados de crianças e não se saber onde os instalar.
Quanto ao modelo de gestão do lar IPSS está bem, muito embora reconheça que seja fundamental a existência de pessoas qualificadas a tempo inteiro, para fazer a gestão diária, refiro-me a uma assistente social e um técnico da área da gestão.
Permitam-me que insista na ideia de que o Jorge é o Presidente da Junta que mais obra deixa, independentemente do estilo, isso é que conta.
Lancemos um desafio à Junta, que criem uma bolsa de terrenos e disponibilizem lotes a preços simbólicos, que possibilite a criação e instalação de microempresas. Desta forma sustentava-se o desenvolvimento e contribuía-se para a fixação das pessoas. Isto sem dúvida, está a faltar na lista de prioridades do Jorge.
Por último queria saudar a Ana Simão por, até agora, ter sido a única que se identificou. Se bem que nestas coisas da blogosfera , é da praxe usar Nike . Ficava bem a "Franzina".
Continuem críticos!


De ana simao a 1 de Outubro de 2006 às 02:02
Cravadinho
1- Para quem conhece, tão bem o funcionamento de instituições (Junta, Câmara e IPSS), que é conhecedor de como funcionam as Assembleias destas "organizações", não considera importante que se "abandone" as críticas .... e que em sede própria se apresente projectos?
2- Não deixando de considerar importante a sua sugestão, de técnicos qualificados para a gestão do lar, tenho no entanto dúvidas se a instituição terá disponibilidade financeira, para os honorários dos dois técnicos. Penso que o gestor é desnecessário, o técnico Superior de Serviço Social (Assistente Social) tem formação especifica e necessária para este tipo de instituição , e sai menos dispendioso . Mas no entanto deverá verificar se este apoio não está já a ser prestado pela Segurança Social...
3- Escola e Jardim de Infância, desconheço o numero de crianças inscrito em cada nível de ensino se tiver mais dados ...assim como o n.º de alunos por sala / professor; o tipo de horário...
4- Quanto á bolsa de terrenos, mesmo que a Junta tenha terrenos o que eu desconheço, que tipo de micro empresas é que está a considerar poder interessar-se por se fixar na Chança...pode desenvolver a Ideia.... para se considerar a sugestão.
5- Por último saudações, mas já não sou asim tão franzina...
Até breve!


De Cravadinho a 2 de Outubro de 2006 às 23:42
Cara Ana,
Apresentar soluções em sede própria siginifica em Assembleia Geral da Associação, não posso, não sou sócio.
Quanto à crítica, tb não posso prescindir dela, permita que me repita, mas a crítica é vital. Mas se reparar o meu conceito de crítica é construtivo. Quanto aos alunos, pensei que tivesse percebido que estava a ironizar, pois o cenário, suponho eu, deve ser tendencialmente contrário.
Os terrenos para empresas e a gestão do lar, falando com a seriedade que os assuntos merecem, muito sinceramente são questões mais complexas do que meros comentários jogados para o ar. Agora não tenha dúvidas, um Técnico de Serviço Social é imprescindível. Para este tipo de necessidade a disponibilidade financeira não é argumento válido. Assim como acho que apareceriam empresas interessadas em aproveitar um incentivo, que alguns autarcas se esquecem que podem utilizar como forma de atrair investimento. Experimente contactar a Câmara de Alter ou a de Ponte de Sôr e colha informação sobre se têm lotes industriais e a que preços. Na concretização de um projecto se eu puder contar com um incentivo de 50 ou 60 mil euros (preço do terreno), não me importa muito se é na Chança ou noutro sítio.
Mas em todo o caso, admito que questões desta natureza, tenham alguma complexidade e só as pessoas que estão no terreno, eventualmente conhecerão as verdadeiras dificuldades. Com dificuldades ou não, os eleitos tb precisam destas achegas, que mais não seja para perceberem que têm munícipes que apreciam, criticam ou deploram o trabalho que fazem.
Cumprimentos.


De PM a 29 de Setembro de 2006 às 10:05
Parabens Cravadinho, se alguem disse algo de jeito nesta "guerrilha" fostes tu assim é que é. Não te preocupes que o blog já é noticia central ca na nossa Chança, até os mais velhos falam nelem, sem nunca o ler. Será que alguem que tão boa ideias tem consegue enfrentar o "tubarão"? Aceitas este desafio Cravadinho? Ou outro qualquer bloguista a chegar ca a Chança e confronta-lo com ideas.......


De extramodum a 29 de Setembro de 2006 às 11:45
Amigos: vamos em frente.

Um dos grandes defeitos que sempre encontrei na Chança foi a grande falta de união entre os Chancenses! Vamos unir-nos e, ainda que com pontos de vista diferentes, vamos intervir mais na nossa terra!

Já tivemos o Grupo Desportivo... ainda temos o edifício... por que não transformá-lo numa associação "próChança" ou "Amigos da Chança" ou qualquer outra com o objectivo de intervir (ajudando) na vida da nossa terra?

Já vi que apoiantes da ideia não faltam. Força!

extramodum


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