...é o meu voto sincero para todas os que continuam a tentar "escapar às formigas"!
Para quê dizer mais? É um desperdício de bytes e, neste caso, tudo o que se diga depois do "Feliz 2007", é mesmo um desperdício...
Portanto... isso para todos.
Abraços,
extramodum
...pois é, parece que já se começa a fazer luz sobre o assunto!
Vão ao http://debate-chanca.blogs.sapo.pt/ e ... debatam...
extramodum
Amigos frequentadores do blog "VILA FORMOSA":
O debate sobre o tema de "as Formigas que escaparam à Chança", ou "A Chança que escapa às Formigas" ou "...outra treta qualquer..." (já nem me lembro do nome...) já vai longo!!!
Mais longo que aquilo que eu ou os "blogs do Sapo" poderiam prevêr... por isso, meus amigos, peço-vos que passem a comentar este e outros assuntos, que tenham como importantes para a nossa "Fuga ao Formigueiro", no "blog" criado para o efeito que se chama (basta clicar no nome) http://debate-chanca.blogs.sapo.pt/ ...
... posso adiantar que o nome do blog tem a ver com ... a Luz...
No entanto, e se quiserem, poderão continuar a deixar neste "blog" os vossos comentários. O novo "blog" tem , apenas e só, como objectivo facilitar o debate. Por isso, Força nas teclas...
(... porra... ) - devo confessar que gosto desta expressão: PORRA! ... é que não ofende ninguém e permite-nos "descarregar" uma série de "sapos-atravessados" ...
Vá, vamos lá a debitar "bites" de "inteligência formigueira" p'ra ver se se aproveita alguma coisa disto, ... PORRA!!!
Um abraço,
extramodum
Pelo menos é o que eu espero: que se faça alguma luz de toda esta controvérsia...
Confesso que nunca pensei que este tema gerasse tanta e tão acesa polémica!
Volto a repetir que não é, nem nunca foi minha intenção ofender ninguém. As pessoas que são titulares de "cargos públicos" estão sempre sujeitas a críticas. Nada tenho contra a "personagem" central desta "telenovela alentejana" (como já lhe chamaram); limitei-me a, com alguma ironia, chamar a atenção para aquilo que considerei como "decisões" polémicas relativamente à gestão do Centro de Dia.
Como refiro numa das "cartas", «...essa de “emprenhar pelos ouvidos” normalmente dá mau resultado, pois quem nos “emprenha” normalmente só “passa os seus genes” e, num caso destes, talvez fosse bom um pouco de “promiscuidade”…»... quer isto dizer, para quem não percebeu, que «é bom que se escutem várias opiniões, ainda que diferentes ou completamente opostas à que possamos defender». Só assim se poderá retirar algum proveito de tudo isto.
É essa a intenção destas "cartas". Colaborem com opiniões e/ou críticas válidas!
Já o disse e repito: não é com ofensas pessoais nem pinturas murais que se resolvem os problemas, por isso peço aos participantes neste blog que ponderem antes de escrever, aqui ou em qualquer outro lado, aquilo que bem entenderem.
Tal como diz o ´subtítulo deste blog, este é um local para contar "historias , desabafos e tudo o que nos der na real gana sobre uma das muitas Vilas Formosas deste país..." ... e, acrescento, para mim a Mais Formosa de todas...
afinal, ... todos gostamos da Chança, PORRA!!!
um abraço,
extramodum
Gente que Escapou às Formigas
Capítulo Menos Dois
Ou
Fuga às Formigas – Parte 2
Capítulo II
“Longistão, Setembro de 2006.
Querido pai,
Desculpa só agora responder à tua carta datada do mês passado e enviada por Correio Azul, mas como sabes o “Azul” não é para todos… muito menos para as terras como a nossa, que apesar de perto, ficam cada vez mais longe…
Mas, adiante…
Dizia eu: Querido Pai, espero que esta te encontre melhor do que quando escreveste a tua carta, onde denotavas sinais evidentes do teu adiantado estado de debilidade mental!...
Passo a esclarecer, e peço-te que não me leves a mal, pois sabes que só quero o teu bem:
Ponto 1 – Eu NÃO sou a tua filha!: sou o teu filho! – A morada da minha irmã, ninguém a sabe, principalmente depois de teres recebido o subsídio dos borregos e a indemnização da CP e a teres repartido “irmãmente”… pela TUA FILHA!
Ponto 2 – Essa que te acompanha NÃO é a minha mãe, pois como te deverás recordar, ela faleceu há uns bons anos… e, quando me via não dizia “Oi!, tudo legal???”! , para além de não ser da minha idade…
Ponto 3 – Já te disse várias vezes que esses comprimidos azuis que teimas em tomar, NÃO são para a TENSÃO, mas para outra coisa … com a mesma entoação…
Ponto 4 – Vê se esse mal-estar do estômago de que a Dulcineide Aparecida se queixa … não será devido a … gazes…
Ponto 5 – Tu próprio sempre me disseste que “Eras ateu, graças a Deus!”, então porquê essa tua súbita e inesperada “conversão” ???
Meu Pai, eu sei que a nossa terra fica longe de tudo e de todos… e que, quando se quer, podemos sempre dar a desculpa de que “É longe … e com chuva ainda pior…nestas estradas…” ou “São muitos quilómetros para fazer com este calor…” (ainda que tenhamos um carro da última geração com ABS e Ar Condicionado de origem, e GPS – opcional por mais 1000 euros)…
Sei que, quando matas um porco – que culpa terá o bicho??? – as distâncias se reduzem; sei que quando é Natal ou outro dia festivo, a meteorologia não interessa… Sei, querido Pai, que estás “à guarda” do Centro de Dia – ou Lar dos Velhos, como lhe chamas – não por opção tua mas por necessidade minha…
Todas as tuas queixas, meu pai, têm, pelo menos, uma razão de ser: Interferires o menos possível com a vida daqueles a quem a deste.
No entanto fico preocupado quando dizes que vives no “Galapitoquistão”… mas, pai, não foste tu quem votou nele para gerir a nossa Vila Formosa? Não foste tu quem bateu palmas quando ele disse que “Ia tomar conta do Lar”? Não foram todos os que vegetam à sua volta, que permitiram a quase Galapitocracia em que vivem???
É que, pai, repara bem: eu vou aí muito poucas vezes; gosto de ver a minha terra bonita, com fontes iluminadas e jardins arranjados mas… És TU quem aí passa os dias e só TU poderás tomar atitudes com conhecimento de causa!!!
Sabes que essa de “emprenhar pelos ouvidos” normalmente dá mau resultado, pois quem nos “emprenha” normalmente só “passa os seus genes” e, num caso destes, talvez fosse bom um pouco de “promiscuidade”…
E não é com atitudes obscuras que se consegue algo (já lá vai o tempo – felizmente o tempo das clandestinidades e das pinturas murais já passou!!!)
Não há ninguém “intocável” – e esse Deus de que te queixas deveria saber disso, tendo em conta o seu passado…
Por isso te digo, querido pai: Estás velho, mas não estás morto! Mexe-te, como me mandaste mexer a mim quando me viste a ir abaixo! Faz ouvir a tua voz e … se precisares… LIGA À TUA FILHA! Que eu tenho mais que fazer …
Um beijo do
Teu Filho “
Gente que Escapou às Formigas
- Capítulo Menos Um -
ou
Fugas às Formigas – Parte 2
– Capítulo Primeiro –
(p.f. lêr Prólogo - mais abaixo - antes de continuar)
Nota prévia: a “carta” que se segue NÃO é pura ficção. Os eventos e personagens nela retratados NÃO são mera coincidência com factos ou pessoas reais e o seu autor NÃO se responsabiliza por eventuais danos físicos ou morais infligidos ou a infligir nos intervenientes – palavra do autor - (todos) Graças à Internet
.
“Galapitoquistão, Centro de Dia, Agosto de 2006
Querida filha, espero que esta vos encontre de boa saúde que nós por cá todos…, nem bem nem mal, antes pelo contrário.
Filha, sei que a tua vida não te permite visitar-nos (a mim e à tua mãe) sempre que desejas mas não te preocupes que tudo corre como Deus manda.
Ele olha por nós todos os dias: é Ele quem faz as compras para nos dar de comer, pois foi Ele que desistiu dos anteriores fornecedores que diariamente nos punham à disposição produtos com qualidade, receando que deixássemos de lhes comprar…, foi Ele que deixou de comprar aos comerciantes da nossa terra para ir … sabe Ele onde…, foi Ele que acabou com esse desperdício e agora tudo mudou: não há desperdício; nada se perde, tudo se transforma – em lucro… (desculpa estas filosofias baratas, mas sabes que a esclerose não perdoa…).
Agora, e graças a Ele, a nossa casa é limpa com produtos que nós compramos e ainda temos que ter baldes, vassouras e esfregonas para as Senhoras limparem. Pois, porque agora e por decisão Divina, elas vêm a pé e não podem carregar com as coisas pelas ruas fora às costas. Bem sei que a nossa terra é pequena, que as ruas estão todas esburacadas, que os semáforos não funcionam mas impõem respeito, tornando difícil a circulação de automóveis, e que isto não é a Santa Casa da Misericórdia (…palavras do Senhor… Graças a … - desculpa, filha, agora é o Alzheimer a fazer das suas…), mas o desperdício que era andarem a passear nas carrinhas de porta em porta só para nos limpar as casas… nos tempos que correm e para velhos como a gente, é muito!!! E são muitos os velhos como a gente! E isto (seja lá o que “isto” for) não dá p’ra tudo – nova “palavra do Senhor” – Graças…!!!
É que, filha, tenta compreender, o Senhor não pode estar em todo o sítio, ainda que queira ser omnipresente e omnipotente, tudo o que conseguiu até agora foi ser prepotente!!! (… ai, ai… desculpa, filha : é a senilidade a dar sinas de si…).
Dantes, quando o Senhor não tomava conta de nós, havia reuniões quinzenais ou, no mínimo, mensais para decidir essas “tretas”, mas agora… reuniões para quê??? Só se for para comunicar as Divinas decisões e sabes que essas NÃO SE DISCUTEM: aceitam-se…
Não te esqueças que Ele tem muita responsabilidade às costas: não lhe chegava ter que olhar por uma terra onde quase só já há velhos como, ainda por cima, e deitando para trás o seu merecido descanso, aceitou tomar conta do …Lar, … dos Velhos, …e do Lar dos Velhos!
Olha filha, não te preocupes com a gente e desculpa não escrever mais mas é que são 6 da tarde e tenho que ir jantar. A ver se como bem porque o leitinho acabou! Pois, mais um dos desígnios do Senhor: não há dinheiro, logo corta-se na comida! Sim filha, quem janta às 6 da tarde não precisa de leite com bolachas!!! Se ficar com fome é porque não comeu ao jantar como devia ser! (A tua mãe não anda bem do estômago e não costuma comer tudo. Eu ainda não lhe disse p’ra ir ao doutor porque assim sempre sobra qualquer coisita para mim durante a noite… e também , a doutora ...são mais os dias que não vem que os que vem…)
Mas isso são outras conversas.
Um beijo deste que te adora e se assina…
Teu Pai
GENTE QUE ESCAPOU ÀS FORMIGAS
– Prólogo –
Pois é amigos, já não blogava há muito tempo, embora sempre fosse consultando os outros blogs sobre a nossa Vila Formosa (os links estão aí ao lado …).
As razões são diversas, sendo a principal aquela que a todos aflige nos dias que correm: a “Falta de Tempo”!!!
A segunda razão é mais pessoal e de difícil solução...
Eu explico: Tendo-me comprometido a escrever aqui estórias sobre “A Gente que Escapou às Formigas”, o dilema que se me colocou foi: QUEM escolher para o primeiro “Capítulo” destas estórias (tá bem escrito!!! “Estórias” e não “histórias”! – é que eu ainda gosto de escrever à portuguesa, estando-me “c@g@ndº” para os acordos ortográficos.)!
… Pensei naqueles que recordo da minha infância, nomeadamente:
- o “Dionísio” - com os seus pregões,
- o “Justo” – sempre a pedir um cigarrinho
- o “Mestre Marçalo” – com os seus famosos “àpartes”
- o Joaquim Ranheta – com a sua carrinha Volkswagen
- o Dr. Fortes - …palavras para quê???
- a (felizmente) “eterna” e “Menina” Pimenta - … idem…
- … e muitos, muitos outros que, sendo marcantes para mim, não eram a meu ver, os mais marcantes para este tema…
Lembrei-me em seguida daqueles que “deram - ou dão - mais nas vistas” fora da nossa terra:
- o Júlio César – actor, chancense, amante da Chança, primo da maioria dos seus habitantes (nem que seja para que se tenha alguém famoso na família – o que parece ser um Cartão de Visita nos tempos que correm…) e um dos que mais contribui para que esta terra não seja totalmente desconhecida para a maioria da gente.,
- o “Filho do Joaquim Ranheta” – que chegou a Secretário de Estado de um Governo… de que já não me lembro (mas sei que ele o foi e peço desculpa por não me recordar do seu nome).,
- o “Lebrinha” – Emérito Juiz
- … e muitos outros na linha dos anteriores…
… mas, ainda assim, não suficientemente “importantes” para serem os Protagonistas do Capitulo I…
Pensei ainda em outras pessoas e grupos: o antigo Regedor (antes do 25/04), o 1º Presidente da Junta Democraticamente Eleito, os Elementos do Grupo Cénico Pró-Luz, o Agrupamento Musical Século XIX, os Grupos de Teatro sem nome , o Pélé, o Zé…. tantos, tantos que … não havia meio de me decidir…
Mas decidi-me! E vou escrever … não o Capítulo I, não o Capitulo 0 … mas o
CAPÍTULO -1
… e o menos 2, e o menos três e tantos quantos forem necessários para trazer a este modesto blog, não só os que escaparam às formigas como aqueles que escapando, se aliaram às mesmas, parecendo querer obrigar-nos a uma “Fuga às Formigas - Parte 2”...
Adianto que o Capítulo -1 será sobre um senhor que está a transformar a nossa Vila Formosa num autêntico Galapitoquistão!!!
Nota : Todos os anteriormente referidos terão o seu lugar nesta minha Vilaformosa a seu tempo e sem preocupações de ordem de capítulos ou outras tretas.
Até breve!
...repito:
Histórias de "Gente que Escapou às Formigas!"
...e agora explico:
1 - Este vai ser o tema de alguns dos meus próximos posts. - Convém dizer (nã vá o gajo processar-me) que este título me foi sugerido pelo meu amigo que se assina como "Cravadinho" (ainda não percebi bem porquê, mas enfim...).
2 - A razão de ser deste tema prende-se com uma confusão que ocorreu no blog de outro "pchardeco" cujos antepassados escaparam, também eles, às formigas. É que o rapaz, que se assina como Olsec, e que tem um blog que muito aprecio - cujo link podem encontrar ali ao lado (Chançablog), - teve a ousadia de falar de gente da sua (nossa) terra que, de alguma forma, é reconhecida como "digna de referência memorial" (esta frase significa "pchardecos que toda a gente conhece", mas como temos receio da censura velada que possa ocorrer, dizemos isto...) e, continuando, o rapaz chamou-lhes "Cromos"!!! ...
O que foste tu dizer, rapaz...: chamar CROMOS a pessoas que vivem há "bué de time" na "Santa Terrinha", que já são "Cotas" ou ainda "chavalos" que talvez só desta forma o outro "people" se dê consciência da sua existência e tu chamas-lhes Cromos???? ... Tu e as tuas modernices...
3 - Por isso é que eu, aproveitando (mas não usurpando) a tua idéia, vou fazer uma colecção de "Histórias de Gente que Escapou às Formigas!".
É que (para os menos atentos) uma das histórias que se contam sobre o nascimento da Chança, tem a ver com as formigas: Reza a dita que a (então) Vila Formosa, teve que ser mudada de sítio por causa das "formigas que comiam os olhos às criancinhas!"...
Sendo nós descendentes dessa gente, somos Gente que Escapou às Formigas!, não é?
Então fica assente: a partir de (...quando puder...), vou passar a escrever e a "postar" histórias dessa gente e, talvez com este título "velhinho" e , quiçá, histórico, tenha seguimento e se continuem a manter vivas na memória de todos "aqueles que por obras valerosas se vão da lei da morte libertando" (ou não). - (Camões, canto I - Os Lusíadas)
Amigos pchardecos, este tema é nosso. Sintam-se à vontade para o utilizar nos vossos blogs. Pela minha parte comprometo-me a fazer referência aqui a tudo o que achar interessante sobre ... A Gente que Escapou às Formigas!...
(p.s. - Parabéns, ó Cravadinho, este é um Título do ..."Camano" ... olha a Censura...)
Pois, é para testar o novo sistema de blogs da "arrã" , essa coisa verde que , em tempos já cacei (ou pesquei???) nas ribeiras e albufeiras ao redor da nossa Vila Formosa ... e depois (...crueldade...) cortava-lhes as pernas e... comia-as!
Sim!!! que perninhas de rã panadas ou de tomatada, meus amigos, é de comer e chorar por mais! Qualquer dia "posto" aqui as receitas.
Mas agora, nem se ouvem coachar, quanto mais deixarem-se caçar..: as ribeiras estão secas, as albufeiras são "propriedade privada"... as águas não são de confiança (têm uma cor esquisita e uma espécie de oleo a cobri-las).
O que vale é que, estando perto do mar, sempre posso ir apanhar uns mexilhões e uns percebes como os da foto (atenção: o camarão foi comprado!).
Já que estou a fazer um teste, façam tambem a experiência de cozinhar os percebes e os mexilhões SÓ COM A ÁGUA QUE TRAZEM os mexilhões!!!
É uma surpresa deliciosa: colocam-se primeiro, os mexilhões num tacho SEM NADA (nem temperos nem água) ao lume.
Após 2 ou 3 minutos, os mexilhões estão cozidos e retiram-se do tacho, colocando então os percebes na água que ficou (se necessário, acrescentar alguma água - de preferência da que serviu para cozer os camarões).
Depois, é fazer um vinagrete com pickles e coentros, compor o prato ... tirar uma fotografia.. e COMER!
Bom, para teste chega.
Isto deixou-me com "água na boca" e com saudades de umas perninhas de rã da Chança...

(Foto by Cravadinho - Direitos, e Tortos, Reservados)
"Ah terra desgraçada que nem Guarda tens!..."
...foi com estas palavras que, há já bastantes anos, um dos habitantes da "minha Vila Formosa" se lamentou após ter levado uma "carga de porrada" (na sequência de uma desavença no então Café Central) e não haver qualquer Autoridade que impedisse tal situação...
Falta dizer que esse indivíduo foi um dos que mais se evidenciou na "luta" para que a GNR saísse da aldeia, apregoando que "só servem p'ra passar multas..."
É sempre assim: só sentimos a falta que as coisas, ou as pessoas, nos fazem depois de as perdermos, ainda que quando as tinhamos ao nosso dispor não lhe dessemos a devida importância ou até estivessemos na disposição de prescindir delas.
Feita esta introdução, vamos ao que me levou a fazer este artigo: as festas de Verão da Chança. É que este ano, ao que parece pela primeira vez desde há muito, HOUVE LUCRO!!!
Uma "miúda" corajosa meteu mãos à obra e... FEZ OBRA! Infelizmente não pude assistir pessoalmente às Festas, mas diz quem lá esteve que a organização foi "impecável" e tudo correu bem... e deu lucro ... e ... isso não é normal... portanto, se não é normal, vamos lá repor a "normalidade" e arranjar problemas a quem fez o que devia.
Bom, sem mais demoras, o que me chateia no meio disto tudo é que parece que já começaram a levantar problemas e suspeitas sobre a pessoa que organizou o evento e já anda "toda a gente" a querer aplicar o "lucro" das festas em tudo e mais alguma coisa quando antes de se saber se ia ou não haver proveitos, poucos se importavam com o seu destino... (ver jornal "O Mensageiro" deste mês).
Não, amigos "pchardecos", não...: se antes não se importavam que não houvesse Guarda, não reclamem agora que a não há! (traduzindo:) "Se não se preocupavam com o destino dos lucros - porque não acreditavam que existissem - , não se preocupem agora e acreditem e apoiem quem faz as coisas com garra e honestidade!... é que ... ainda há pessoas assim!..."
Força Joana!!!
Os sinos da minha aldeia sempre tocaram do alto da Torre da Igreja, ecoando pelos campos com um som claro e audível a grandes distâncias, imposto pelo vigoroso badalo que impiedosamente se atirava contra o metal.
Chegaram, os sinos, a ser "vítimas" de sequestro por habitantes de uma aldeia vizinha, talvez (seguramente!) por inveja da sua qualidade sonora...
Umas vezes associado ao relógio mecânico, dando sinal dos "quartos-de-hora", das meias-horas e das horas, outras pela mão de alguém (...alunos do Sr. Prior ou da catequese, "beatas" mais ou menos habilitadas a ... manusear o badalo... e, nos últimos anos, pelo funcionário "Multi-usos" da Junta - o Chico do Rui), foram comunicando às pessoas as mais diversas situações: missas, terços, funerais, fogos, etc.
O "manusear do badalo" requeria esforço (era necessário subir ao alto da torre) e alguma técnica, pois os toques não se limitavam a um simples repicar dos sinos, sendo antes uma "composição melódica" de duas notas distintas (uma de cada sino)...
Mas o tempo não perdoa nem os Homens, nem as máquinas... e o antigo relógio mecânico foi substituido por um electrónico, de última geração, com os toques horários programados de forma a fazerem mover os "martelos" que batem nos sinos.
Mais tarde, no mesmo equipamento electrónico foram gravados os outros toques... e o badalo deixou de ser "manuseado"... chegou o fim do trabalho manual... ah! mas ainda era necessário que alguém se deslocasse à Igreja e accionasse o equipamento... o badalo ainda "sentia" que alguém estava por perto para o fazer trabalhar!...
...foi alegria de curta duração: de acordo com as últimas informações, foi adquirido um TELECOMANDO para fazer accionar todo o equipamento à distância!!! É o total abandono para o badalo... não bastava todo o resto se não agora um telecomando!!!
Já não é preciso entrar na Igreja; já não é preciso subir à Torre; já não é preciso ... tocar no badalo... - Pode fazer-se tudo isso sentado na esplanada do café com uma geringonça electrónica... Pobre badalo... abandonado no alto da Torre, movido por meios mecânicos e ainda por cima, comandado à distância...
... BADALOS deste Mundo: UNÍ-VOS e TOCAI a rebate! Não desespereis: AINDA É NECESSÁRIO UM DEDO HUMANO no aparelho para Vos fazer atirar contra as paredes! (até quando??? nã interessa!) VIVA o BADALO!!!!
No seguimento da história anterior, veio-me à memória uma conversa passada na tasca de um dos intervenientes: a Taberna do "Ti Zéi".
Nos dias de feira, aquela aldeia atraía muitos visitantes quer de terras vizinhas quer de lugares distantes que ali se deslocavam para fazer negócio.
Durante a manhã decorria sempre a "feira do gado", localizada num extremo da aldeia mas relativamente perto da dita tasca. Ali se apresentavam os melhores exemplares da zona do gado vacum, cavalar, ovino, caprino e ... canino!... (é que só raramente o negócio não se concluia numa taberna, de onde resultava uma inevitável "cadela").
Foi na sequência de um destes negócios que o "Gama" (imponente representante da etnia cigana na região) e um "peleiro" (homem que viajava de terra em terra a comprar peles para curtir) oriundo da zona de Ourém/Leiria, se juntaram na tasca do "Ti Zéi" à volta de uns copos de tinto ("traçadinhos" para o peleiro que não queria ser enganado pelo cigano).
Ora o que se passava era que o "peleiro", de nome Jaquim, queria "impingir" uma mula "de serviço" ao Gama!!! Este não estava muito pelos ajustes em relação ao preço, argumentando que a mula era "Velha, coxa, cega,... enfim, que tinha todos os defeitos". O "Peleiro", sabendo que estava a lidar com um "expert" na matéria - e querendo esconder que a mula já tinha muitos quilómetros nas patas - chamou o Seca-Adegas, que estava ali ao lado a fazer juz ao nome, e pediu-lhe que atestasse sobre a qualidade da mula. (De notar que o velho Seca-Adegas tinha como meio de transporte um grande burro cinzento-claro "amestrado" que o levava sozinho para o monte à noite, após a habitual "Procissão das Capelinhas" do dono).
- Ti Seca - diz o Peleiro - a minha mula tá ou não tá impecável?
- Oh 'migo Jaquim, até se me seca a "graganta" ...
- Ti Zéi... avie aí um copo o' Ti Seca...
- Obrigadinho 'migo Jaquim, pois a su mula... a su mula... a qual? a nova ou a velha???
- São as duas novas, Ti Seca!!! é a mais escura que o amigo Gama tá interessado!
- Ah essa?!! - fazendo uma pausa para beber de uma só vez o tintinho
- Oiça 'migo Gama, garanto-lhe eu que sei disto hein, essa mula ... quem ma dera p'ra mim! Se ela soubesse o caminho de Cujancas, quem a comprava era eu. Essa meto as mãos no lume por ela, 'migo Gama. Na feira nã havia "ninhuma", ouviu bem?, "NINHUMA" que lhe chegasse aos calcanhares...é garantido!
- Então amigo Gama, que me diz? - pergunta o Peleiro todo inchado.
Ao que o Gama responde na sua voz pausada e cigana:
- Migo Jaquim, sabe "qantos" tipos de cabrões há???
... o peleiro e o Ti Seca ficaram boquiabertos com aquela pergunta e na expectativa...
- Há "trêis"!
- "Trêis"??? - interrogam os dois em simultâneo.
- Sim, trêis - e explicou - há os que são e nã sabem, os que sabem e nã "s'importem", e os "quêmados"!
- Os queimados? - duvida o Peleiro.
- Pois, migo Jaquim, os quêmados... sã aqueles que "metem as mãos no lume por elas"!...
... fez-se uma pausa silenciosa em toda a taberna...
... e todos, sem excepção, olharam pelo canto do olho para as próprias mãos...
---
P'rá semana volto aqui p'ra contar outra das muitas histórias que se passaram à volta daquela taberna e, aproveito para convidar a quem visite este blog, a deixarem histórias curiosas do nosso Alentejo. Deixem um comentário com o vosso mail que oportunamente forneceremos o contacto para onde as enviar.
Até breve seus "quêmados.
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